Escola que homenageou Lula, Acadêmicos de Niterói é rebaixada A

A agremiação havia desfilado pela primeira vez na elite em 2024 e recebeu apenas duas notas 10

A Acadêmicos de Niterói terminou na última colocação e foi rebaixada do Grupo Especial do carnaval carioca na apuração desta quarta-feira (18). A agremiação havia desfilado pela primeira vez na elite em 2024 e recebeu apenas duas notas 10.

Com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a escola apresentou no domingo (15) a trajetória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde a infância no Nordeste, passando pela migração para São Paulo, atuação profissional e liderança sindical, até chegar à Presidência da República.

A comissão de frente trouxe uma representação da rampa do Palácio do Planalto, em referência à última posse de Lula, acompanhada por figuras da sociedade civil. Atores também interpretaram o ministro Alexandre de Moraes e os ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.

O carro abre-alas retratou o agreste pernambucano, região de origem de Lula, destacando contrastes da paisagem. Outra alegoria apresentou críticas a políticas sociais do governo Bolsonaro e à condução da pandemia. Na parte posterior, o carnavalesco incluiu uma referência à prisão do ex-presidente.

A escola enfrentou dificuldades na dispersão: alegorias ficaram presas na saída da avenida, provocando correria no encerramento. Uma das estruturas permaneceu no local mesmo após o fim da apresentação, o que, segundo a Imperatriz Leopoldinense, prejudicou o desfile da agremiação.

Ações judiciais e representações

O enredo da Acadêmicos de Niterói foi alvo de ao menos dez ações judiciais e representações encaminhadas ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas da União (TCU), que buscavam impedir o desfile ou suspender repasses públicos. As ações argumentavam que elementos da apresentação configurariam propaganda eleitoral antecipada a favor de Lula, algo permitido pela legislação apenas após 16 de agosto.

Também houve pedidos para barrar a presença do presidente na Marquês de Sapucaí e para limitar manifestações interpretadas como ataques a adversários políticos. O caso chegou ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que decidiu por unanimidade negar pedido de liminar e permitir o desfile, ressaltando que a proibição poderia caracterizar censura prévia. Ministros, porém, destacaram que eventuais excessos poderiam ser analisados posteriormente.

Após a decisão, o Partido dos Trabalhadores (PT) orientou integrantes a evitar ações interpretáveis como propaganda antecipada. O governo federal negou irregularidades, afirmou que não teve participação na escolha do enredo e lembrou que o apoio financeiro às escolas de samba é uma prática tradicional.

Depois do desfile, Lula elogiou a apresentação nas redes sociais. A oposição reagiu com críticas e anunciou novas medidas judiciais, novamente alegando promoção eleitoral indevida e mau uso de recursos públicos. Parlamentares, especialmente da bancada evangélica, também criticaram a ala “Neoconservadores em conserva”, que representava famílias dentro de latas, algumas com referências religiosas.

Na segunda-feira (16), a Acadêmicos de Niterói divulgou nota pública afirmando ter sido alvo de perseguições durante a preparação do desfile em razão do enredo escolhido.

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