A primeira audiência de instrução e julgamento do caso envolvendo Amanda dos Santos Souza foi realizada nesta quinta-feira (5), no Fórum Maria Tereza Gusmão, em Campos dos Goytacazes. Nesta etapa, o Judiciário ouve testemunhas e analisa materiais periciais antes de decidir se o réu irá a júri popular.
Enquanto a sessão acontecia, familiares e amigos da vítima organizaram uma manifestação em frente ao fórum. Com faixas, cartazes e camisetas pedindo justiça, o grupo cobrou a responsabilização de Diego Vitorino da Silva, acusado de tirar a vida de Amanda, com quem mantinha um relacionamento e tinha três filhos. Durante o ato, a mãe da jovem, Lucivalda dos Santos, pediu justiça não apenas pela filha, mas por todas as mulheres vítimas de feminicídio.

Amanda, de 26 anos, foi morta em dezembro de 2025, no bairro da Penha. O suspeito, seu companheiro, foi detido pela Polícia Civil em São João da Barra no dia seguinte ao crime. As investigações apontam que a jovem foi agredida dentro da casa onde vivia com o acusado, e sinais de violência foram identificados pela perícia.
Após fugir do local, Diego foi encontrado na entrada de Grussaí, em São João da Barra. Em depoimento, ele admitiu a autoria do crime e alegou motivação por ciúmes.
Segundo a Polícia Civil, o relacionamento era marcado por episódios anteriores de violência doméstica. Amanda havia registrado três boletins de ocorrência contra o agressor — em 2018, 2024 e março de 2025 — ocasião em que ele chegou a ser preso em flagrante. Mais tarde, a própria vítima solicitou a suspensão da medida protetiva, o que levou à liberação do acusado.
Na época, a delegada Carla Tavares destacou a postura fria do investigado ao descrever a dinâmica do caso. O crime gerou forte comoção em Campos dos Goytacazes e segue mobilizando familiares e movimentos de enfrentamento à violência contra a mulher.
